Um jovem pai na sala de parto, um relato impressionante

Um jovem pai na sala de parto, um relato impressionante
Foto por: @caiofotos

 O RELATO DA MINHA VIDA/ RELATO DE PARTO DA LETICIA

Um jovem pai na sala de parto, um relato impressionante
Foto por: @caiofotos

Visto de um ângulo masculino e imperfeito, mas que me mudou e me muda todo dia.

Eram umas 22:20h quando eu estava voltando para casa e a Let tava com minha sobrinha no colo, balançando a mão como se estivesse nervosa. Entramos em casa e tava rolando, desceu um pouco de líquido e sabíamos que a bolsa tinha estourado, eu e a Let ficamos bastante calmos, por mais incrível que pareça. Quando ela levantou mais uma vez da cadeira, abriram as comportas e foi aí que a ficha começou a cair.

00:00h começou uma “cólica chatinha” que eu não faço a mínima ideia de como deve ser, mas eu sabia que era o Cauê querendo dar as caras.

01:00h A cólica começa a incomodar e eu já começo a pensar: Se as contrações forem pior que isso ela ta lascada.

02:20h A Let já não consegue ficar quieta, senta, levanta, deita, se balança e a cada 5 minutos vinha uma contração sinistra. Ligamos na Krys que foi nossa doula e eu preciso ressaltar aqui que eu teria estado perdido se não fosse esse anjo de pessoa. Ela ligou tb no Doutor Marcos que é outro ser iluminado por Deus. ( Agradeço mt mt mt mt mt por vcs.)

3:00h Contrações SINISTRONAS a cada 3 minutos, o corpo da Let se tremia inteiro, eu tentava de todo modo acalentar, massagear, chamegar e é essa a pior parte para nós do sexo masculino, você realmente não sabe como diminuir a dor que sua gata ta sentindo, fica querendo trocar de pele, querendo dividir a dor, mas parece que nada que você faz dá resultado. Mas dá resultado sim, segue o instinto e RESPIRA.

Primeiro exame, 3cm de dilatação e a Let já pedia arrego pedindo cesária, foi talvez a pior hora para meu psicológico, por um lado eu queria que ela fosse respeitada em qualquer decisão que tomasse, por outro lado, eu não queria deixar ela desistir do parto normal.
Comecei junto com a Krys um “mantra” de massagem e respiração combinada, que visivelmente ajudava a aliviar, todo momento apoiando e tentando deixar a Let tranquila e confiante.

04:50h segundo exame, 8cm de dilatação. Ouvir isso fez meu coração pular, a essa altura a Let já não pedia mais por cesárea, e eu queria deixar registrado que eu conheci a pessoa mais raçuda e forte que eu já vi, a essa hora eu comecei a perceber que o grito dela tinha mudado, não era mais um grito de dor, era de força.

06:00h e dilatação completa, Let vai pro banheiro com a Krys tomar banho quente e nesse momento eu reparei que eu não iria ajudar tanto, era ela e o Cauê, mas eu fiquei assistindo aquilo maravilhado, toda aquela força que eu não sabia de onde ela tinha tirado, sem desistir, contração por contração, era tudo tão inalcançável para mim que eu já nem ousava falar nada, eu só contemplava.

7:00h Cauê coroa, e eu olho pra ela e penso : “Círculo de Fogo”. Let vai pra banqueta e eu fico atrás dela já vendo os cabelinhos dele, a emoção já tava me consumindo, sabia que agora eu ia finalmente ver o rosto que eu passei nove meses sonhando em ver.

07:06h depois da quarta contração ouço uns estralo e o Cauê tinha nascido, todo roxinho, com o chorinho mais lindo do mundo, saudável, de parto normal, sem intervenções, sem cortar a mamãe, sendo respeitado o tempo inteiro.

Um jovem pai na sala de parto, um relato impressionante

Eu não contive mais nenhuma emoção, eu chorei de um jeito que eu nunca tinha chorado, lágrimas, sorrisos e o sentimento mais louco, mais estranho, mais perturbador que eu já tinha sentido. A paternidade deu um murro na minha cara e quebrou qualquer certeza que eu tivesse sobre como era ter um filho, agora era pra valer, ele tava ali no peito da mãe dele, e ele era a coisa mais linda que eu já tinha visto na minha vida, e agora aquela coisinha dependia de mim, dependia do homem que eu seria a partir daquele momento… e eu chorava.

Sabe o Cauê não foi programado, não estava nos planos de futuro dos pais dele, mas o Cauê foi amado desde o dia que eu vi o resultado de exame, eu não sou rico, não sou formado, não tenho como dar as “melhores coisas” que o dinheiro pode comprar pra ele, mas eu já amo meu filho de um jeito que eu realmente só consigo explicar assim:

Sabe quando você é pivete e tem um gatinha no colégio que tu é apaixonadão, tu olha as fotos dela, sonha com ela, sonha vcs juntos, fica imaginando altas coisas, bobão, mongolando mesmo ? Agora imagina isso multiplicado por 10000. Isso é o mais perto do que eu consigo explicar.

Não consigo entender esses caras que abandonam seus filhos com as mãe e vivem uma vida como se os filhos não fossem dele. Não consigo entender como esses caras jogam a paternidade no lixo, enfiam a consciência nem sei aonde e vivem suas vidas “normalmente”.
Eu olho o Cauê e acho aquilo tão frágil, sinto um sentimento de proteção, um pensamento de como eu vou criar ele da melhor forma, se ele vai gostar de mim, se vai ser surfista … como que esses caras pegam esses pensamentos e apagam da cabeça ? Como ?

Eu quero criar meu filho pra um dia ele amar o filho dele como eu amei ele.
Eu quero criar o Cauê, pra um dia ele amar a mãe do filho dele, igual eu amo a mãe dele.

A Paternidade foi a melhor coisa que eu já senti na vida. E dane-se as expectativas impostas.

Relato de Italo Hagy.

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